Ricardo Kotscho e o Jornalismo Literário

30/10/2009 at 18:52 | In Autores | Leave a Comment
Martinez_Kotscho_Lima

Os jornalistas Monica Martinez e Ricardo Kotscho e a estudante de jornalismo Renata Lima

Em seu blog, Balaio do Kotscho, o jornalista Ricardo Kotscho se identifica como repórter do iG e da revista Brasileiros.

Seu currículo é vasto e bem conhecido: ele está nessa carreira desde os 15 anos de idade, tendo trabalhado para os principais veículos, como Folha de S. Paulo e Jornal do Brasil, e, de 2003 a 2004, para a Secretaria de Imprensa e Divulgação da Presidência da República. (“Saí porque não gostava de ficar em Brasília, longe da família, e porque o salário era 1/3 do que eu ganhava na Folha”).

A esta altura da vida definir-se como repórter não deixa de ser um luxo. Mas, de fato, falar sobre pautas interessantes é o que faz seus olhos brilharem.

Kotscho detesta rótulos em geral, entre eles o de Jornalismo Literário. “Jornalismo é jornalismo”, defende. “O que fazemos é apurar as informações e contar as histórias da forma mais honesta possível”, resume.

Para ele, trata-se de apenas mais um rótulo entre tantos outros que a área já teve, do New Journalism ao Jornalismo de Autor. Aliás, o rótulo que ele menos aprecia é o de fazedor de Jornalismo Humano, que lhe foi atribuído por outro jornalista de peso, Carlos Eduardo Lins da Silva, hoje ombudsman da Folha de S. Paulo. Corria o ano de 1990 quando Lins da Silva resenhou o livro que Kotscho lançou com o jornalista Gilberto Dimenstein, A Aventura da Reportagem.

De forma paradoxal, contudo, Kotscho defende que o jornalismo é um ramo da literatura. Afinal, ele não tem apenas olho vivíssimo para boas histórias (uma das suas favoritas, publicadas na revista Brasileiros, é a de um vendedor de fumo picado que encontrou numa beira de estrada). Kotscho as narra de forma impecável, com começo, meio e fim, como um bom conto.

Será, então, que as matérias que ele faz têm ou não têm elementos do Jornalismo Literário nos moldes preconizados por estudiosos contemporâneos do gênero?

Bom, essa é a missão que a estudante de jornalismo Renata Lima assumiu. Por isso, em 28 de outubro de 2009, uma quarta-feira à tarde, nos encontramos com o jornalista paulistano para entender mais sobre sua produção na ótica do Jornalismo Literário. Os resultados preliminares da pesquisa serão divulgados no Conic 2009, a ser realizado em São Paulo em 13 de novembro de 2009.

Monica Martinez

Harvard aponta limites do Kindle

27/10/2009 at 9:58 | In Tecnologia | Leave a Comment

Brasileiro com cartão de crédito internacional, mil reais no bolso e disposição para pagar contas futuras em dólar (uma moeda que pelo menos no momento está fragilizada) agora pode comprar no Brasil legalmente o Kindle, o leitor de livros da Amazon.

Não deixa de ser boa a possibilidade de ter nas mãos um aparelho que permite ter acesso imediato a e-books lançados no exterior.

Contudo, há várias críticas feitas ao Kindle. A mais recente é a do diretor do Laboratório de Jornalismo da Fundação Nieman, o braço jornalístico da Universidade Harvard, Joshua Benton. Para ele, um dos principais limites é a falta de interatividade com a internet.

Para ler a matéria na íntegra, acesse http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi2710200921.htm

Observações como esta talvez motivem os competidores do Kindle, que já possuem protótipos em teste, a lançar multifuncionais.

Jornalistas e Escritores: oportunidades para mostrar o trabalho

23/10/2009 at 17:08 | In Autores | Leave a Comment

Matéria publicada no jornal Meio & Mensagem do dia 19 de outubro de 2009, intitulada O desafio do Kindle, chama a atenção para a adaptação do mercado editorial frente ao avanço da internet.

Um trecho interessante da reportagem de Mariana Ditolvo aborda as oportunidades para autores disponibilizarem seus trabalhos:

Quando se profetizava o apocalipse para o mercado editorial, em razão do avanço da internet, o setor soube se beneficiar do advento e se adaptou à tecnologia. Enquanto a sociedade e o mercado especulavam com desconfiança a sobrevivência dessa indústria diante da pirataria digital e do alcance da rede, as empresas não se deixaram engolir e se movimentaram para tirar proveito do momento (…)

Além da proliferação das redes sociais voltadas à literatura — que são ótimas divulgadoras de livos na internet –, alguns sites abriram espaço para os escritores carentes de oportunidades para mostrarem seu trabalho. O Clube de Autores é um desses casos, onde a impressão sob demanda permite que cada leitor encontre seu escritor e vice-versa. “Hoje imprimimos cerca de 2 mil livros por mês e cadastramos de 10 a 15 mil novos títulos de membros que disponibilizam seus livros para quem quiser consumi-los”, conta Ricardo Almeida, diretor do portal. “Além disso, criamos uma rede social que cerca o negócio e um blog onde são divulgadas novidades e notícias do mercado”, completa.

Gritos também expressam coragem

20/10/2009 at 8:03 | In Textos de alunos | Leave a Comment

Ela sempre grita, grita, grita e eu não entendo direito o porquê. Enquanto dou gargalhadas, ela corre derrubando quem e o que estiver pela frente.
 
Não sei se a coragem está mais nela ou em mim.
 
Tada vez que aparece uma barata na cozinha de casa a cena se repete. Ela gritando e correndo e eu gargalhando e sarcastirizando (eita, dei uma de palavrista agora :-)
 
Quando nos defrontamos com situações indesejadas e amedrontadoras, somos embuídos de tanta coragem para fugir da situação de risco que, olhando por outro ângulo, nos superamos.
 
Toda vez que vê uma barata, minha irmã Carmenlita experimenta isso: deixa de lado a timidez e corajosamente grita, corre e foge. Ela é corajosa e expõe seus medos sem reservas. Carmen é livre!
 
Observe suas reações. Você é dotado de coragem sim. É Deus quem dá essa graça. Basta encontrá-la dentro de você.

Texto do jornalista Fernando Fantini realizado durante o 1o. Curso de Redação Criativa Avançado, ministrado por Monica Martinez no Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo de 12/9 a 10/10/9. Este texto tmbém está postado no blog  http://blog.cancaonova.com/atosefatos

Cheiro de infância

13/10/2009 at 13:46 | In Textos de alunos | Leave a Comment

Enquanto sentia o cheiro das folhas, durante o exercício, a imagem da minha infância foi passando pela minha cabeça como um filme daqueles que não nos cansamos de ver.

Lembrei-me de quando cai da janela da sala de casa, na altura de cerca de dois metros, e fui parar no meio do jardim, toda envolta pelas folhas das plantas que minha mãe cultivava. O resultado de achar que podia voar foi um braço quebrado.

Hoje o jardim não existe mais.

Eu e meus primos também cansamos de brincar de tesouro escondido no sítio de nossos pais, onde criávamos mapas e recompensas aos que descobriam os “tesouros” que guardávamos em meio ao pomar e jardim daquele imenso espaço verde.

Hoje nós brincamos de nos esconder em escritórios cinzas e nossos tesouros e nossos tesouros passaram a ser meros bens materiais.

Por quantas vezes subi no pé de amora no sítio da minha tia-avó e perdia a noção do tempo deliciando daquela pequena fruta capaz de passar mal de tanto comer.

Hoje perco a noção do tempo enfiada no trabalho e passo mal de tanto tomar café.

Voltar a infância me faz lembrar da minha inocência, de como era bom viver sem justificar cada passo, cada atitude, ser apenas criança.

Eu cresci acreditando no ser humano, pois sempre tive amor por aquele que está ao meu lado e não consigo conceber que ele seja capaz de tanta maldade, que ele seja tão cruel consigo e com o próximo.

Quero voltar a minha infância. A sentir o cheiro das plantas e sentar no colo do meu avô enquanto ele me ensinava a ler partituras e brigava comigo porque pintava o desenho fora do traço que delimitava sua forma.

O ser humano perdeu sua essência, a inocência de se alegrar com um cheiro, uma imagem, um gesto. Trocou tudo isso pelo egoísmo, pela individualidade… eu não quero esse mundo pra mim.

Quero voltar a minha infância.

Texto da estudante de jornalismo Vanessa Riboldi realizado durante o 1o. Curso de Redação Criativa Avançado, ministrado por Monica Martinez no Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo de 12/9 a 10/10/9.

O que os inovadores têm em comum

05/10/2009 at 11:06 | In Escrita Criativa | Leave a Comment

Em sua coluna de domingo, publicada na Folha de S. Paulo em 4/10/2009, o jornalista Gilberto Dimenstein usa o caso de Romero Rodrigues para ilustrar o perfil criativo. Para quem não sabe, o engenheiro formado pela Poli recentemente vendeu parte de sua empresa, o Buscapé (um site comparador de preços), por R$ 342 milhões.

Dimenstein identifica pelo menos três pontos importantes na trajetória desse inovador que, em 1999, teve a ideia ao perceber como era difícil pesquisar preços de produtos na rede.

O primeiro ponto apontado por Dimenstein é a curiosidade, que antecede a intenção de ganhar dinheiro.

O segundo, a boa formação acadêmica (Romero estudou no Visconde de Porto Seguro e entrou na USP).

O terceiro ponto, na visão de Dimenstein decisivo, foi a existência de um mentor. No caso o pai do jovem de 32 anos, por coincidência também Romero de nome e engenheiro de profissão.

Segue a coluna na íntegra:

São Paulo, domingo, 04 de outubro de 2009
 
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GILBERTO DIMENSTEIN

Como surgem inventores. E milionários


Romero Rodrigues transformou sua vocação para a informática em um negócio de US$ 342 milhões

COM O DINHEIRO que ganhava do estágio no Laboratório de Arquitetura e Redes de Computadores (Larc), da Poli, Romero Rodrigues conseguia economizar R$ 100 por mês, às vezes só dava R$ 50, para investir numa experiência em internet.
Com mais três colegas -dois da Poli, um da FGV-, aplicava R$ 300 mensais. Na semana passada, o que sobrou desse passado foram só os três primeiros dígitos. Uma parte da empresa foi vendida a um grupo estrangeiro por US$ 342 milhões.
A ideia surgiu quando eles, em 1999, perceberam que não havia na internet um jeito de comparar preços de produtos vendidos nas lojas. Nascia, assim, o Buscapé.
Perguntei a Romero sobre seu prazer de descobrir coisas. No relato sobre sua vida, dá para perceber o modelo que o ajudou a fazer tanto sucesso em tão pouco tempo -há anos registro casos de inovadores e, quase sempre, noto um padrão que se repete.
Antes que me confundam com escritor de autoajuda, vou logo avisando. Não vou dar uma receita, mas apenas mostrar que os inovadores de destaque têm pontos em comum.

 
Comecei perguntando sobre a infância. Romero lembrou-se da paixão que tinha por um brinquedo chamado “O Alquimista”, que misturava produtos químicos. “Gostava tanto, mas tanto, que economizava cada gota dos vidrinhos. Foi, durante muito tempo, meu maior tesouro.”
Puxando pela memória, ele se lembrou de que tinha mania de desmontar os aparelhos que encontrava pela frente e, depois, remontá-los -o que fazia de seu quarto uma espécie de laboratório. “Nada me seduziu tanto quanto o computador.”
Aos 12, montou, sozinho, em casa, seu primeiro jogo no computador, em que bichos passavam por túneis.

 
Como se vê, Romero era um menino curioso e, desde cedo, desenvolveu o encanto pela experiência, encontrando uma vocação.
Aparece aí mais uma característica. O prazer não estava em ganhar dinheiro, mas em produzir novidades. “O dinheiro foi consequência.” Na frente, estava um sonho que, ao contrário das empresas, tem uma contabilidade imaterial guiada apenas pela emoção.

 Dificilmente, ele não iria muito longe se fosse apenas um curioso. Ser criança, afinal, é ser curioso.
Romero frequentou uma das melhores escolas da cidade de São Paulo (Visconde de Porto Seguro), onde teve as primeiras aulas de computação e a chance de mergulhar nos laboratórios. Sem isso, teria dificuldade de entrar na USP e obter uma base teórica sólida para fazer programação na internet.
Sabia, porém, transformar informação que vinha da sala de aula em conhecimento, ou seja, algo prático.

 
Notam-se curiosidade natural, inteligência acima da média para pelo menos uma área (no caso, a computação), boa formação escolar, apoio familiar. Mas falta algo -e, na minha visão, decisivo. Falta o mestre, aquela figura indispensável que ajuda a canalizar a curiosidade.
Quando lhe perguntei sobre os mestres que o estimularam mais, a resposta veio rapidamente: o pai, também chamado Romero. E também engenheiro. Não se incomodava com os aparelhos desconstruídos, espalhados pela casa. Pelo contrário, mostrava-se orgulhoso. “Via o esforço do meu pai em pagar a mensalidade.”

 
Muitos dos colegas de Romero ganharam um carro quando entraram na faculdade. Com ele, foi diferente. O pai raspou as economias para dar-lhe um moderno computador.
Justamente com esse computador que, aos poucos, foi ficando velho, Romero montou o programa de buscas na internet, agora com 50 milhões de usuários -e, com isso, os R$ 300 mensais viraram, na semana passada, US$ 342 milhões.

 
É mais um exemplo a mostrar que nada pode ser mais importante num país do que o estímulo à inovação -é por esse ângulo que se pode medir a tragédia que significa a falta de professores em ciências e a incapacidade de mostrar como a teoria se aplica ao cotidiano.

 PS- Coloquei em meu site (www.dimenstein.com.br) uma parte da minha coleção de entrevistados que se destacaram, alguns deles vivendo duras adversidades -todos sempre têm a história de um mestre para contar.
Alguns exemplos: Gilberto Gil, Fernanda Montenegro, Ziraldo, Maurício de Souza, Miguel Nicolelis, Ruy Ohtake, João Carlos Martins, Fernando Meirelles.

Necessidade pessoal

25/09/2009 at 11:19 | In Textos de alunos | Leave a Comment

     Meu pai é uma destas pessoas que adora ir à biblioteca, talvez seja por sua influência que goste tanto de ler.
     Dias atrás me disse que foi até o Centro Cultural Vergueiro para pesquisar sobre mitologia grega. Detalhe: meu pai é serralheiro.
     Fiquei pensando, o que leva um ser humano que tem como cotidiano ferro e solda pesquisar sobre mitologia no Centro Cultural?
     Vontade de conhecer o mundo. Ele sempre foi assim, pensa em assuntos diversos e faz uma pesquisa para entender tudo sobre o tema.
     Na verdade ele pega muito no meu pé toda vez que não estou lendo algum livro. Para ele, hoje o acesso a informação é tão fácil que as pessoas não dão o devido valor.
     Lembra que, na época da ditadura, período de sua adolescência, ler livro estrangeiro era muito difícil. Muitas pessoas que viajavam para o exterior traziam manuscritos das obras, estas eram passadas aos interessados e neste empréstimo arriscado, devido ao regime militar, o conhecimento se espalhava.
     Fora a dificuldade de quando um queria se comunicar com o outro. Telefone era algo raro e caro. A saída era o famoso telefone sem fio e um ia passando ao outro que o fulano queria falar com o cicrano.
     Hoje temos facilidade para nos comunicarmos. Utilizamos celulares, e-mails, mensagens instantâneas e nem damos valor a qualidade desta comunicação tão rápida. Somos tão cobrados a estarmos sempre em contato com os outros, que não nos damos o luxo nem de fazer igual ao meu pai: poder por simples prazer entrar numa boa biblioteca, pegar um livro e se sentar, como se a cidade lá fora parasse.

Texto da estudante de jornalismo Priscilla Vierros realizado durante o 1o. Curso de Redação Criativa Avançado, ministrado por Monica Martinez no Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo de 12/9 a 10/10/9.

Receita para fazer jornalismo hoje

22/09/2009 at 16:28 | In Textos de alunos | Leave a Comment

Quantidade, variedade, pressa, precisão, especialização, tempo.

Violência, política, economia, dinheiro, cultura, globalização.

Pegue todos estes ingredientes e misture com jornalismo.

Não deixe muito tempo no forno, na cabeça, computador ou papel.

A receita não pode ser precisa. Você deve simplesmente fazer e fazer sempre o melhor com o que tem em mãos.

Sirva em jornais, revistas, internet, rádio, televisão ou celular.

Rende porções para muitas pessoas, conforme a demanda. Por isso mesmo é preciso caprichar nos ingredientes e sabores.

Boa sorte!

Texto bem-humorado e questionador da jornalista Marilia Porcari Gerciano realizado durante o 1o. Curso de Redação Criativa Avançado, ministrado por Monica Martinez no Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo de 12/9 a 10/10/9.

A vassoura

19/09/2009 at 9:31 | In Textos de alunos | Leave a Comment

Era uma vassoura gigante… vrum, vrum, vrum… trazendo poeira e barulho para cima de mim, abafando os sons que eu realmente queria ouvir. Crianças brincando, garotos jogando bola, pássaros, cachorros… mas eu só ouvia a vassoura.

Está certo, a sua intenção era boa. Estava ali para limpar. Mas, para mim, ela se aproximava demais, mais e mais, me embalando, me embrulhando, confundindo meus sentidos.

E quando ficou bem atrás de mim, invadiu meu cérebro. Vrum, vrum, vrum!!! E caprichou na limpeza de minha cabeça… foi me fazendo esquecer todo o resto… restando somente a limpeza… vrum… vrum… vrum…

Texto da jornalista Francine Altheman  realizado durante o 1o. Curso de Redação Criativa Avançado, ministrado por Monica Martinez no Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo de 12/9 a 10/10/9. Mantém o blog http://sobretanto.blogspot.com

Declaração de amor ao livro por Ruy Castro

18/09/2009 at 17:12 | In Autores | Leave a Comment

Vale a pena ler a coluna de Ruy Castro publicada no dia 16 de setembro de 2009 no jornal Folha de S. Paulo (os negritos são meus):

RIO DE JANEIRO - Um dos temas mais momentosos da Bienal do Livro, em cartaz no Riocentro, é se o livro impresso, de papel, corre o risco de desaparecer, fulminado pelas novas tecnologias. Eu próprio, zanzando entre os stands no último domingo, fui perguntado várias vezes sobre isso.
Curiosamente, quem olhasse ao redor diria que a pergunta não fazia sentido e que a indústria do livro nunca esteve tão robusta neste país. Era um domingo de escandaloso azul, com as praias, os passeios e todas as formas de lazer grátis no Rio convidando o povo a estar em qualquer lugar, menos ali, num conjunto de pavilhões em Jacarepaguá, a mais de uma hora de Ipanema, e tendo de comprar ingresso para entrar.
Pois essa pergunta estava sendo feita em meio a montanhas de livros expostos e 125 mil pessoas, número de visitantes que, segundo a Bienal, compareceu no fim de semana. Gente que não pagou para ver malabaristas, engolidores de fogo ou artistas globai s, mas romancistas, biógrafos, poetas ou autores de livros para crianças.
Respondi que, como formato, o livro é difícil de ser superado -porque já nasceu perfeito, e não é de hoje. Ele é bonito, gostoso e prático. É também portátil: pode ser levado na mão, na mochila ou na bolsa, e lido no sofá, na cama, no banheiro, na mesa do jantar, no bonde, no ônibus, no jardim, na praia, na banheira, onde você quiser. É também barato: quem não tiver dinheiro para comprar livros novos, encontrará farta escolha nos sebos e até na calçada da rua.
Um livro pode nos alimentar por uma semana, um mês ou o resto da vida. E, ao contrário do CD e do DVD, não precisa de uma máquina para tocar. Basta ser aberto para poder ser lido. Na verdade, o livro só precisa de nós.
Neste momento, mais do que nunca, talvez.

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