Escritos com sabor

09/02/2010 at 7:54 | In Autores, Gastronomia | Leave a Comment

Pode-se notar nos livros de gastronomia grandes textos, escritos de forma autoral, com criatividade e sabor. Essa tradição começa há muito tempo. No Brasil, A História da Alimentação, por exemplo, do folclorista Câmara Cascudo (1898-1986), se deixa ler com prazer. Na Inglaterra dos anos 1950, outro expoente é Elizabeth David (1913-1992), em Cozinha Italiana, obra que se pode ler no Brasil pela Companhia das Letras. Para leitores da Folha de S. Paulo, ler Nina Horta toda quinta-feira é um must.

Agora o jornalista Mino Carta recomenda a leitura de L´Ingrediente Secreto, do chef bávaro Heinz Beck, lançado na coleção de não-ficção da editora Mondadori em 2009. Na revista Carta Capital desta semana há um trecho da obra para “degustação”:

:: Pensamentos e confissões 
O que é cozinha, os prazeres do mercado, quando o prato está “sentado”. Ideias esparsas de um mestre

Cozinha (cucina, em italiano) para mim é um acrônimo: Como Unir Comunicação, Encantamento, Natureza e Harmonia. Cozinha é interpretação, história e filosofia dos sabores, loucura disciplinada e rigor mediterrâneo. Cozinha é vida, a minha, que saboreio em doses pequenas e intensas, para aproveitá-la por inteiro. Para mim, cozinha é gosto, sabor, memória, prazer, participação de todos os sentidos. Cozinha não é comer. É muito, muito mais.Nihil posse creare de nihilo, nada se cria do nada, como diz Lucrécio. Tenho de encontrar algo que seja meu princípio. Algo que eu veja, ou sinta, ou fareje, ou recorde. Algo que me atinja, me toque por dentro e desperte o som de uma resposta: será a minha primeira nota, meu primeiro passo. Devo ter uma ideia.

Diz-se ser possível comer também com os olhos. Para mim isto é tão verdadeiro a ponto de valer para alimentos ainda não cozinhados. Ao dar voltar pelo mercado (o da praça Campo de Fiori, onde Giordano Bruno morreu queimado pela Inquisição) como com os olhos fruta e verdura. Gozo da luz que emana da casca das berinjelas, o verde brilhante das abobrinhas, o esplendor dos tomates e das laranjas. São pequenos sóis.

A cor é voz extraordinária para contar a harmonia do prato: é um poeta mudo. A forma necessita
de uma porção maior de tempo do que a cor para ser assimilada, entendida, saboreada. O trabalho
do chef está ligado diretamente ao tempo. É preciso que o hóspede disponha dele para apreciar, com todos os sentidos, cada pormenor.

Imagine uma mulher belíssima que vista tamanho 40: suas formas não serão valorizadas, certamente, se for trajar roupa de tamanho 36: da mesma maneira tem de ser dosada a porção: aumentar a superfície do prato serve para não oprimir seu conteúdo. A nossa matéria-prima tem de viver, precisa de espaço, caso contrário, não se criam obras de arte culinária. Assim como a arquitetura vive de áreas vazias e áreas cheias, o prato não deve parecer pesado, oprimido, feio de se ver. A matéria-prima deve viver entre espaços livres e espaços cheios, com luz e sombra.

Um prato está “sentado” quando oprimido, carregado, cheio demais. Desta maneira, “não respira”. Para arejá-lo, tem de ser eliminado tudo aquilo que o faz pesar demais ou encobre a fragrância, a vivacidade do sabor.

Um gesto nobre satisfaz sobretudo o seu autor. Da mesma forma, nós temos uma obrigação em relação a cada comensal: merece ser tratado como um rei. Hospitalidade significa máximo cuidado para quem escolhe dedicar-lhe seu tempo, sua atenção, suas expectativas de prazer.

De que maneira o luxo tem a ver com comida? Está, talvez, na rica decoração do restaurante, no emprego de matérias-primas notoriamente exclusivas: por exemplo, a trufa branca? Esta é visão óbvia, banal. Exclui as emoções. Não me pertence. Luxo, para mim, significa antes de mais nada disponibilidade para as experiências. Neste sentido, é luxuoso um prato de pasta al pesto. Luxo não é proporcional necessariamente a um grande investimento. Não é rito opulento, a jorrar riqueza. Não é o “mais, mais, mais”, e sim o que é limpo, palatável, essencial. Para mim, menos quer dizer mais.

E por falar em massa, consideremos o prato aparentemente mais fácil do mundo: espaguete com molho de tomates. Para mim, é uma felicidade saborear este prato, pois se forem bem cuidadas a escolha da matéria-prima e a execução, encerra todos os perfumes da terra.

Minha fraqueza, confesso, são as massas recheadas. Para mim, sic itur ad astra, assim vai-se no rumo das estrelas, como diz Virgílio. Não creio em comida afrodisíaca, mas acredito na erótica. Trata-se de uma criação que desafia os sentidos dos comensais, obrigados a aceitar a apetibilidade convidativa de um invólucro e a se arriscarem na surpresa do recheio: pode ser macio e sedutor como lábios de mulher, ou amargo e frio como o beijo recusado. 

A entrevista de Mino Carta com Heinz Beck pode ser lida na íntegra em  http://www.cartacapital.com.br/app/materia.jsp?a=2&a2=6&i=5964

A mentira não compensa

01/02/2010 at 8:10 | In Escrita Criativa, Ética | Leave a Comment

Há um limite para se escrever de forma criativa?

Acredito que sim. A resposta para esta questão é uma palavra bem curta, mas muito profunda: ética.

Talvez o maior alerta  sobre o assunto continue sendo o vivido nos Estados Unidos em 2003, quando o tradicional jornal The New York Times demitiu Jason Blair ao descobrir que boa parte das reportagens por ele escritas continha viagens e entrevistas inventados ou, no mínimo, plagiados.

Na edição de janeiro de 2010 da revista Serafina, da Folha de São Paulo, o jornalista brasileiro Sérgio D´Ávila faz uma garimpagem preciosa porque nos permite saber o que aconteceu com o jornalista americano. Pela leitura dá para garantir que a mentira em jornalismo não compensa. Veja o texto na íntegra e comente se concorda comigo:

JAYSON BLAIR

O homem que colocou em xeque a credibilidade do “New York Times” é encontrado na Virginia

por SÉRGIO DÁVILA, em Washington

A VOLTA DE JAYSON

Serafina encontra ex-repórter mentiroso do “New York Times” trabalhando como “consultor para vida”

Quando Jayson Blair pediu para remarcar novamente a sessão de fotos para a Serafina, a outra jornalista daqui de casa me sugeriu em tom de blague que eu perguntasse a ele: “Jayson, posso confiar em você?”. Para quem não se lembra, o ex-repórter norte-americano era uma jovem aposta do “New York Times” que ascendia em ritmo recorde na redação até ser pego inventando reportagens, entrevistas e viagens e plagiando textos. Foi demitido em 2003, num dos piores golpes à imagem do respeitado diário norte-americano.
Uma comissão independente, instalada no mesmo ano pela direção do jornal para averiguar o tamanho do estrago, descobriu que 36 das 73 reportagens de assuntos nacionais escritas por Blair entre outubro de 2002 e sua demissão traziam problemas. O resultado da investigação foi publicado na primeira página do jornal de 11 de maio de 2003, num texto dez vezes maior que o tamanho desta coluna, em que os autores diziam que o escândalo era “um ponto baixo nos 152 anos de existência do jornal”.
No ano seguinte, Blair escreveu um livro de memórias, “Burning Down My Masters’ House – My Life at the New York Times” (Queimando a Casa de Meus Senhores – Minha Vida no New York Times, New Millennium Press), em que acusa o jornal de racismo e atribui parte de seus problemas à bipolaridade de que dizia sofrer então. Dois anos depois, o livro tinha vendido 4.000 cópias, um número modesto para os padrões do mercado editorial norte-americano.
Localizei Jayson Blair trabalhando em Ashburn, na Virginia, Estado vizinho a Washington, como “consultor para vida” (“life coach”, no original), especializado em “avaliação de carreira, doença do deficit de atenção, transtorno invasivo do desenvolvimento, doenças do humor e doenças de abuso de substâncias”. Hoje com 33 anos, ele atende clientes e tem dado palestras para plateias interessadas nesses assuntos, que não necessariamente fazem a ligação do guru com o ex-jornalista do passado.
No final de 2009, ele começou a ensaiar voos mais altos. Fez uma palestra sobre ética no jornalismo a alunos de uma universidade de comunicação, levando US$ 3.000, segundo relatos de locais. O título era “Lições Aprendidas”. Um dos presentes disse que ele deveria ter resumido seu conselho a uma frase: “Não seja Jayson Blair”. Falei com Blair depois disso. Ele insistiu que a conversa fosse por e-mail. “Jayson prefere esse meio porque limita os potenciais erros de tradução”, disse seu assessor de imprensa, Ted Faraone.
Perguntei por que ele fez o que fez, qual o tamanho do estrago que julgava ter causado no “New York Times” e à credibilidade da mídia em geral, se ele se arrependia, se ele sentia falta do jornalismo e se ele sabia de outras pessoas ainda em ação fazendo o que ele fazia. “Eu estava doente, com problemas mentais, e também, separadamente, perdi meu sistema de navegação moral. Não estou em posição de julgar o estrago ao jornal. Arrependo-me. Sinto muita falta do jornalismo. E também não quero abrir velhas feridas e julgar outros.”
Perguntei qual o futuro do jornalismo, na opinião dele. “Não tenho certeza. Sou otimista como leitor e como telespectador.” Perguntei como ele se recriou nessa nova carreira, se era bem-sucedido, se as pessoas o reconheciam e se, quando isso acontecia, era uma vantagem ou desvantagem. “Um psicólogo clínico viu meu trabalho de liderar grupos de apoio no norte da Virginia e me convocou a me juntar a sua prática. Sinto-me bem-sucedido. As pessoas me reconhecem, às vezes. Isso não tem virtualmente nenhum impacto negativo, e um impacto muito positivo em clientes e outros que se sentem confortados pelo fato de eu saber como é chegar ao fundo do poço e que a recuperação não é só parte de contos de fadas.”
Perguntei se as pessoas têm de confiar nele para seguir seus conselhos e se elas confiam. “Sim, elas têm. E, sim, frequentemente elas confiam.” Perguntei se ele votou em Barack Obama e o que achava de sua gestão até agora. “Eu prefiro manter minha opinião política privadamente.”Por fim, perguntei se ele já tinha ido ao Brasil. “Não, mas irei em breve. Em maio, na verdade.”
Foi a única vez que ele usou a última palavra.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/serafina/inde31012010.htm

Livro-reportagem resgata história de explorador da Amazônia

09/01/2010 at 17:44 | In Livros | Leave a Comment

Só larguei o livro de David Grann, Z: A Cidade Perdida, depois da segunda leitura. Impossível parar!

O jornalista estadunidense, colaborador da The New Yorker, refaz a rota de um dos últimos exploradores vitorianos, o britânico Percy Fawcett (1867-10925), em sua obsessão de descobrir o Eldorado brasileiro.

Grann faz sua lição de casa direitinho: vasculha os arquivos da Real Sociedade Geógrafica, em Londres, entrevista descendentes de Fawcett e, mais importante, pega um avião para o Brasil e se embrenha no que restou desta parte da selva na época aberta a machete por gente como Fawcett ou o Marechal Rondon.

Da pesquisa, levanta novos dados, visto que Fawcett era muito cioso de sua meta e “maquiava” informações para que outros exploradores não encontrassem o local primeiro.

Já o mergulho na selva permite à Grann sentir na pele – e compartilhar com os leitores – o desafio do britânico. Permite também o fantástico final.

Acima de tudo, vale à pena ressaltar a estrutura primorosa com que ele constrói a narrativa – ponto que em bate-papo com jornalistas da Editora Abril, realizado no final de 2009, ele ressaltou como o principal desafio da obra. Vale lembrar que já está sendo feito um filme baseado no livro, que terá Brad Pitt como o intrépido explorador. Se bem que, segundo Grann durante o evento, bonito como Pitt era mesmo Jack, o filho primogênito de Fawcett que se perde na floresta com ele em 1925.

Contar mais seria tirar o sabor da leitura. A obra é da Companhia das Letras.

Os 10% suados do autor

21/11/2009 at 17:01 | In Autores | 1 Comment

As editoras nacionais são zelosas de seus resultados financeiros, guardando-os em geral sob sete chaves. Um texto bem humorado de Nina Horta, colunista da Folha de S. Paulo, ressalta esses números na ótica do autor:

Noites de autógrafo

UMAS COISAS são tão costumeiras que não paramos para pensar nelas. E assim vamos perpetuando o costume das noites de autógrafos. Você recebe o convite. Geralmente é um assunto que interessa, pois há uma tendência de cozinheiros conhecerem cozinheiros, bailarinos conhecerem bailarinos. Uma das probabilidades é que o autor seja o seu melhor amigo ou alguém que você admire muito, para que se mande até uma livraria localizada de preferência em ruas de trânsito impossível, depois do expediente caótico, para pegar um livro com dedicatória.
Aí é que começo a implicar. A fila!
Policiadíssima pelos que ficam atrás, às vezes chega a sair da livraria, pelas calçadas esburacadas. Um conhecido poeta comentava, no outro dia: “É difícil de acreditar. Eu ali na fila esperando, em pé, cansado, sem jantar, para ver quem? O Jorge, entendeu? O Jorge que vejo todo dia, sem fila. O Jorge!”.
É claro e sabido que, financeiramente, não vai haver grande lucro. Dez por cento por capa é o que o escritor ganha. O livro custa R$ 40, se ele ficar 10 horas na fila, com 500 pessoas, vai ganhar R$ 2.000. Sem contar o vinhozinho branco e as frutas secas. Se oferecer uns macarons, corre o perigo de falir, ali, duro, na hora do lançamento.

Ah, o texto pode ser lido na íntegra por meio do link http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1911200922.htm

A gaveta criativa de Woody Allen

10/11/2009 at 11:02 | In Autores | 2 Comments

0,,31932726,00O mote da revista People – mostrar o lado comum de celebridades e o lado extraordinário de pessoas comuns — continua válido para produzir perfis interessantes.

Nesse sentido, o que perguntar para um cineasta americano que dirige filmes desde a década de 1970 e que, desde então, teve sempre sua vida particular colocada sob as lupas poderosíssimas da mídia internacional? 

Felizmente os jornalistas Paoula Abou-Jaoude, de Los Angeles, e Marcelo Bernardes, de Nova York, aproveitaram bem a oportunidade, perguntando o que Woody tem em seu criado-mudo.

A reportagem não supera, é verdade, a feita pela repórter Tetê Ribeiro para a revista Serafina, da Folha de S. Paulo. Mas perguntas como esta ajudam a humanizar um mito do cinema contemporâneo. Para ler o texto na íntegra, o link é http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI101942-15220,00-WOODY+ALLEN+QUASE+ALTOASTRAL.html

ÉPOCA – O senhor diz que guardou o roteiro original numa gaveta. O senhor sempre cita essa gaveta em entrevistas. Poderia revelar o que existe nesse maravilhoso e criativo móvel?
Allen –
É meu criado-mudo, que fica ao lado de minha cama. Nele estão uma luminária, um bloco de anotações, um lápis e o telefone. Na gaveta estão todas as minhas coisas pessoais. Minhas palhetas do clarinete, meu fone de ouvido para escutar jazz. Meu passaporte está lá, assim como um cassetete de polícia, caso alguém invada minha casa à noite (risos). Também tenho todos os meus papéis lá, todas as minhas anotações. Invariavelmente, abro a gaveta, tiro os papéis, coloco-os sob a cama onde deito e repasso essas anotações ano após ano. Se escrevo um roteiro e dou para meu produtor, e ele me diz que vou precisar de US$ 20 milhões para fazer aquele filme, mas ele não tem condições de captar essa quantia, então o roteiro volta para a gaveta. Tenho roteiros prontos para cinema e teatro, e um romance que ficou tão ruim que continuará naquela gaveta por um bom tempo.

Monica Martinez

Ricardo Kotscho e o Jornalismo Literário

30/10/2009 at 18:52 | In Autores | Leave a Comment
Martinez_Kotscho_Lima

Os jornalistas Monica Martinez e Ricardo Kotscho e a estudante de jornalismo Renata Lima

Em seu blog, Balaio do Kotscho, o jornalista Ricardo Kotscho se identifica como repórter do iG e da revista Brasileiros.

Seu currículo é vasto e bem conhecido: ele está nessa carreira desde os 15 anos de idade, tendo trabalhado para os principais veículos, como Folha de S. Paulo e Jornal do Brasil, e, de 2003 a 2004, para a Secretaria de Imprensa e Divulgação da Presidência da República. (“Saí porque não gostava de ficar em Brasília, longe da família, e porque o salário era 1/3 do que eu ganhava na Folha”).

A esta altura da vida definir-se como repórter não deixa de ser um luxo. Mas, de fato, falar sobre pautas interessantes é o que faz seus olhos brilharem.

Kotscho detesta rótulos em geral, entre eles o de Jornalismo Literário. “Jornalismo é jornalismo”, defende. “O que fazemos é apurar as informações e contar as histórias da forma mais honesta possível”, resume.

Para ele, trata-se de apenas mais um rótulo entre tantos outros que a área já teve, do New Journalism ao Jornalismo de Autor. Aliás, o rótulo que ele menos aprecia é o de fazedor de Jornalismo Humano, que lhe foi atribuído por outro jornalista de peso, Carlos Eduardo Lins da Silva, hoje ombudsman da Folha de S. Paulo. Corria o ano de 1990 quando Lins da Silva resenhou o livro que Kotscho lançou com o jornalista Gilberto Dimenstein, A Aventura da Reportagem.

De forma paradoxal, contudo, Kotscho defende que o jornalismo é um ramo da literatura. Afinal, ele não tem apenas olho vivíssimo para boas histórias (uma das suas favoritas, publicadas na revista Brasileiros, é a de um vendedor de fumo picado que encontrou numa beira de estrada). Kotscho as narra de forma impecável, com começo, meio e fim, como um bom conto.

Será, então, que as matérias que ele faz têm ou não têm elementos do Jornalismo Literário nos moldes preconizados por estudiosos contemporâneos do gênero?

Bom, essa é a missão que a estudante de jornalismo Renata Lima assumiu. Por isso, em 28 de outubro de 2009, uma quarta-feira à tarde, nos encontramos com o jornalista paulistano para entender mais sobre sua produção na ótica do Jornalismo Literário. Os resultados preliminares da pesquisa serão divulgados no Conic 2009, a ser realizado em São Paulo em 13 de novembro de 2009.

Monica Martinez

Harvard aponta limites do Kindle

27/10/2009 at 9:58 | In Tecnologia | Leave a Comment

Brasileiro com cartão de crédito internacional, mil reais no bolso e disposição para pagar contas futuras em dólar (uma moeda que pelo menos no momento está fragilizada) agora pode comprar no Brasil legalmente o Kindle, o leitor de livros da Amazon.

Não deixa de ser boa a possibilidade de ter nas mãos um aparelho que permite ter acesso imediato a e-books lançados no exterior.

Contudo, há várias críticas feitas ao Kindle. A mais recente é a do diretor do Laboratório de Jornalismo da Fundação Nieman, o braço jornalístico da Universidade Harvard, Joshua Benton. Para ele, um dos principais limites é a falta de interatividade com a internet.

Para ler a matéria na íntegra, acesse http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi2710200921.htm

Observações como esta talvez motivem os competidores do Kindle, que já possuem protótipos em teste, a lançar multifuncionais.

Jornalistas e Escritores: oportunidades para mostrar o trabalho

23/10/2009 at 17:08 | In Autores | Leave a Comment

Matéria publicada no jornal Meio & Mensagem do dia 19 de outubro de 2009, intitulada O desafio do Kindle, chama a atenção para a adaptação do mercado editorial frente ao avanço da internet.

Um trecho interessante da reportagem de Mariana Ditolvo aborda as oportunidades para autores disponibilizarem seus trabalhos:

Quando se profetizava o apocalipse para o mercado editorial, em razão do avanço da internet, o setor soube se beneficiar do advento e se adaptou à tecnologia. Enquanto a sociedade e o mercado especulavam com desconfiança a sobrevivência dessa indústria diante da pirataria digital e do alcance da rede, as empresas não se deixaram engolir e se movimentaram para tirar proveito do momento (…)

Além da proliferação das redes sociais voltadas à literatura — que são ótimas divulgadoras de livos na internet –, alguns sites abriram espaço para os escritores carentes de oportunidades para mostrarem seu trabalho. O Clube de Autores é um desses casos, onde a impressão sob demanda permite que cada leitor encontre seu escritor e vice-versa. “Hoje imprimimos cerca de 2 mil livros por mês e cadastramos de 10 a 15 mil novos títulos de membros que disponibilizam seus livros para quem quiser consumi-los”, conta Ricardo Almeida, diretor do portal. “Além disso, criamos uma rede social que cerca o negócio e um blog onde são divulgadas novidades e notícias do mercado”, completa.

Gritos também expressam coragem

20/10/2009 at 8:03 | In Textos de alunos | Leave a Comment

Ela sempre grita, grita, grita e eu não entendo direito o porquê. Enquanto dou gargalhadas, ela corre derrubando quem e o que estiver pela frente.
 
Não sei se a coragem está mais nela ou em mim.
 
Tada vez que aparece uma barata na cozinha de casa a cena se repete. Ela gritando e correndo e eu gargalhando e sarcastirizando (eita, dei uma de palavrista agora :-)
 
Quando nos defrontamos com situações indesejadas e amedrontadoras, somos embuídos de tanta coragem para fugir da situação de risco que, olhando por outro ângulo, nos superamos.
 
Toda vez que vê uma barata, minha irmã Carmenlita experimenta isso: deixa de lado a timidez e corajosamente grita, corre e foge. Ela é corajosa e expõe seus medos sem reservas. Carmen é livre!
 
Observe suas reações. Você é dotado de coragem sim. É Deus quem dá essa graça. Basta encontrá-la dentro de você.

Texto do jornalista Fernando Fantini realizado durante o 1o. Curso de Redação Criativa Avançado, ministrado por Monica Martinez no Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo de 12/9 a 10/10/9. Este texto tmbém está postado no blog  http://blog.cancaonova.com/atosefatos

Cheiro de infância

13/10/2009 at 13:46 | In Textos de alunos | Leave a Comment

Enquanto sentia o cheiro das folhas, durante o exercício, a imagem da minha infância foi passando pela minha cabeça como um filme daqueles que não nos cansamos de ver.

Lembrei-me de quando cai da janela da sala de casa, na altura de cerca de dois metros, e fui parar no meio do jardim, toda envolta pelas folhas das plantas que minha mãe cultivava. O resultado de achar que podia voar foi um braço quebrado.

Hoje o jardim não existe mais.

Eu e meus primos também cansamos de brincar de tesouro escondido no sítio de nossos pais, onde criávamos mapas e recompensas aos que descobriam os “tesouros” que guardávamos em meio ao pomar e jardim daquele imenso espaço verde.

Hoje nós brincamos de nos esconder em escritórios cinzas e nossos tesouros e nossos tesouros passaram a ser meros bens materiais.

Por quantas vezes subi no pé de amora no sítio da minha tia-avó e perdia a noção do tempo deliciando daquela pequena fruta capaz de passar mal de tanto comer.

Hoje perco a noção do tempo enfiada no trabalho e passo mal de tanto tomar café.

Voltar a infância me faz lembrar da minha inocência, de como era bom viver sem justificar cada passo, cada atitude, ser apenas criança.

Eu cresci acreditando no ser humano, pois sempre tive amor por aquele que está ao meu lado e não consigo conceber que ele seja capaz de tanta maldade, que ele seja tão cruel consigo e com o próximo.

Quero voltar a minha infância. A sentir o cheiro das plantas e sentar no colo do meu avô enquanto ele me ensinava a ler partituras e brigava comigo porque pintava o desenho fora do traço que delimitava sua forma.

O ser humano perdeu sua essência, a inocência de se alegrar com um cheiro, uma imagem, um gesto. Trocou tudo isso pelo egoísmo, pela individualidade… eu não quero esse mundo pra mim.

Quero voltar a minha infância.

Texto da estudante de jornalismo Vanessa Riboldi realizado durante o 1o. Curso de Redação Criativa Avançado, ministrado por Monica Martinez no Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo de 12/9 a 10/10/9.

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