Necessidade pessoal

25/09/2009 às 11:19 | Publicado em Textos de alunos | Deixe um comentário

     Meu pai é uma destas pessoas que adora ir à biblioteca, talvez seja por sua influência que goste tanto de ler.
     Dias atrás me disse que foi até o Centro Cultural Vergueiro para pesquisar sobre mitologia grega. Detalhe: meu pai é serralheiro.
     Fiquei pensando, o que leva um ser humano que tem como cotidiano ferro e solda pesquisar sobre mitologia no Centro Cultural?
     Vontade de conhecer o mundo. Ele sempre foi assim, pensa em assuntos diversos e faz uma pesquisa para entender tudo sobre o tema.
     Na verdade ele pega muito no meu pé toda vez que não estou lendo algum livro. Para ele, hoje o acesso a informação é tão fácil que as pessoas não dão o devido valor.
     Lembra que, na época da ditadura, período de sua adolescência, ler livro estrangeiro era muito difícil. Muitas pessoas que viajavam para o exterior traziam manuscritos das obras, estas eram passadas aos interessados e neste empréstimo arriscado, devido ao regime militar, o conhecimento se espalhava.
     Fora a dificuldade de quando um queria se comunicar com o outro. Telefone era algo raro e caro. A saída era o famoso telefone sem fio e um ia passando ao outro que o fulano queria falar com o cicrano.
     Hoje temos facilidade para nos comunicarmos. Utilizamos celulares, e-mails, mensagens instantâneas e nem damos valor a qualidade desta comunicação tão rápida. Somos tão cobrados a estarmos sempre em contato com os outros, que não nos damos o luxo nem de fazer igual ao meu pai: poder por simples prazer entrar numa boa biblioteca, pegar um livro e se sentar, como se a cidade lá fora parasse.

Texto da estudante de jornalismo Priscilla Vierros realizado durante o 1o. Curso de Redação Criativa Avançado, ministrado por Monica Martinez no Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo de 12/9 a 10/10/9.

Receita para fazer jornalismo hoje

22/09/2009 às 16:28 | Publicado em Textos de alunos | Deixe um comentário

Quantidade, variedade, pressa, precisão, especialização, tempo.

Violência, política, economia, dinheiro, cultura, globalização.

Pegue todos estes ingredientes e misture com jornalismo.

Não deixe muito tempo no forno, na cabeça, computador ou papel.

A receita não pode ser precisa. Você deve simplesmente fazer e fazer sempre o melhor com o que tem em mãos.

Sirva em jornais, revistas, internet, rádio, televisão ou celular.

Rende porções para muitas pessoas, conforme a demanda. Por isso mesmo é preciso caprichar nos ingredientes e sabores.

Boa sorte!

Texto bem-humorado e questionador da jornalista Marilia Porcari Gerciano realizado durante o 1o. Curso de Redação Criativa Avançado, ministrado por Monica Martinez no Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo de 12/9 a 10/10/9.

A vassoura

19/09/2009 às 9:31 | Publicado em Textos de alunos | Deixe um comentário

Era uma vassoura gigante… vrum, vrum, vrum… trazendo poeira e barulho para cima de mim, abafando os sons que eu realmente queria ouvir. Crianças brincando, garotos jogando bola, pássaros, cachorros… mas eu só ouvia a vassoura.

Está certo, a sua intenção era boa. Estava ali para limpar. Mas, para mim, ela se aproximava demais, mais e mais, me embalando, me embrulhando, confundindo meus sentidos.

E quando ficou bem atrás de mim, invadiu meu cérebro. Vrum, vrum, vrum!!! E caprichou na limpeza de minha cabeça… foi me fazendo esquecer todo o resto… restando somente a limpeza… vrum… vrum… vrum…

Texto da jornalista Francine Altheman  realizado durante o 1o. Curso de Redação Criativa Avançado, ministrado por Monica Martinez no Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo de 12/9 a 10/10/9. Mantém o blog http://sobretanto.blogspot.com

Declaração de amor ao livro por Ruy Castro

18/09/2009 às 17:12 | Publicado em Autores | Deixe um comentário

Vale a pena ler a coluna de Ruy Castro publicada no dia 16 de setembro de 2009 no jornal Folha de S. Paulo (os negritos são meus):

RIO DE JANEIRO – Um dos temas mais momentosos da Bienal do Livro, em cartaz no Riocentro, é se o livro impresso, de papel, corre o risco de desaparecer, fulminado pelas novas tecnologias. Eu próprio, zanzando entre os stands no último domingo, fui perguntado várias vezes sobre isso.
Curiosamente, quem olhasse ao redor diria que a pergunta não fazia sentido e que a indústria do livro nunca esteve tão robusta neste país. Era um domingo de escandaloso azul, com as praias, os passeios e todas as formas de lazer grátis no Rio convidando o povo a estar em qualquer lugar, menos ali, num conjunto de pavilhões em Jacarepaguá, a mais de uma hora de Ipanema, e tendo de comprar ingresso para entrar.
Pois essa pergunta estava sendo feita em meio a montanhas de livros expostos e 125 mil pessoas, número de visitantes que, segundo a Bienal, compareceu no fim de semana. Gente que não pagou para ver malabaristas, engolidores de fogo ou artistas globai s, mas romancistas, biógrafos, poetas ou autores de livros para crianças.
Respondi que, como formato, o livro é difícil de ser superado -porque já nasceu perfeito, e não é de hoje. Ele é bonito, gostoso e prático. É também portátil: pode ser levado na mão, na mochila ou na bolsa, e lido no sofá, na cama, no banheiro, na mesa do jantar, no bonde, no ônibus, no jardim, na praia, na banheira, onde você quiser. É também barato: quem não tiver dinheiro para comprar livros novos, encontrará farta escolha nos sebos e até na calçada da rua.
Um livro pode nos alimentar por uma semana, um mês ou o resto da vida. E, ao contrário do CD e do DVD, não precisa de uma máquina para tocar. Basta ser aberto para poder ser lido. Na verdade, o livro só precisa de nós.
Neste momento, mais do que nunca, talvez.

Os sons da cidade

14/09/2009 às 9:03 | Publicado em Textos de alunos | Deixe um comentário

Vou com a Graciele à praça. Chegando lá às 10h10, fechamos os olhos e abrimos os ouvidos aos sons.

Imediatamente chama-me a atenção o jogo de futebol. A disputa está acirrada e o palavreado dos atletas engreossava. “Ô, arrombado” foi uma das frases.

Por nossas costas, falavam de uma tal de Marli que, sempre que procurava emprego, o pessoal fazia chacota, talvez por uma besteira qualquer.

Também em nossas costas, um cão latia. Devia ser um beagle que vimos.

Acima de mim, ouvi pássados da esquerda para a direita no sentido de quem está de costas para a Major Sertório. Dois deles me pareceram sanhaços, até porque voavam em grupo. Outro não soube identificar, mas talvez os colegas interioranos soubessem.

Rodeando a praça, veículos pesados. Passou um caminhão leve, que pelo padrão sonoro, tenho quase certeza de que era um Mercedes. Passou também um caminhão maior, cujo som do motor me lembrou algum motor de fornecedor. Tinha barulho de diesel mais moderno. Talvez fosse um caminhão da Ford ou da VW, pois usam motor de fornecedor, mas leve-se em conta que, por estar com olhos fechados, as percepções podem ser enganadas. No caso do que me pareceu caminhão leve, poderia ser até micro-ônibus, pois micro-ônibus em geral usa chassi de caminhão leve e compartilha componentes com os mesmos.

 Também passou um ou outro ônibus, distinguível pelo ruído mais grave. Sendo ônibus com chassi específico e de turismo, o escape gerava som diferente do de ônibus urbano. Salvo engano, todos os ônibus que lá passavam eram Mercedes. Os ruídos dos ônibus não eram a “voz” mais sussurrada de um Scania ou Volvo. Eram mais “barítonos”.

10h15. Hora de abrir os olhos e tentar deduzir o que vimos.

Texto do jornalista André Fiori realizado durante o 1o. Curso de Redação Criativa Avançado, ministrado por Monica Martinez no Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo de 12/9 a 10/10/9.

Jornalismo Literário no Intercom 2009

11/09/2009 às 11:34 | Publicado em Pesquisa | Deixe um comentário

Uma tarde inteira foi dedicada à discussão de Jornalismo Literário durante o XXXII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, realizado de 4 a 7 de setembro desse ano em Curitiba (PR). A mesa temática coordenada por Felipe Pena no domingo à tarde, dia 8, foi batizada de O Jornalismo Literário e as narrativas além do lead. Pena é autor de Jornalismo Literário (Editora Contexto) e docente do programa de pós-graduação da UFF (Universidade Federal Fluminense).

O mestrando Mateus Yuri Ribeiro da Silva Passos, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) foi o primeiro a apresentar o estudo Jornalismo literário, humanização e polifonia: perfis da música erudita em Piauí. Em seguida, a professora doutora Monica Martinez, doutoranda do programa de pós-graduação da Universidade Metodista de SãoPaulo (UMESP), apresentou o resultado de sua pesquisa intitulada Programa Globo Rural: Um exemplo de Jornalismo Literário em mídias eletrônicas

Seguiram duas ex-alunas da Academia Brasileira de Jornalismo Literário (ABJL), especialização em nível lato sensu que hoje tem sede na capital paulista. Suzana Aparecida Vier apresentou Contribuições do Jornalismo Literário à Comunicação Sindical  e Francilene de Oliveira Silva, atualmente mestranda da UMESP, o trabalho Visão Sistêmica de Jornalismo Literário sobre Meio Ambiente.

Diana Paula de Souza, doutoranda da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) apresentou Jornalismo e narrativa: uma análise discursiva da construção de personagens jornalísticos no seqüestro de Abílio Diniz e suas repercussões políticas.

O paper  sobre o Programa Globo Rural pode ser encontrado em http://sec.adtevento.com.br/intercom/2009/resumos/R4-1227-1.pdf e no menu Pesquisas desse blog. Os demais em breve estarão disponíveis no site da Intercom (www.intercom.org.br).

O evento foi transmitido pelo twitter da estudante Kaká Albuquerque.

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