Os 10% suados do autor

21/11/2009 às 17:01 | Publicado em Autores | 1 Comentário

As editoras nacionais são zelosas de seus resultados financeiros, guardando-os em geral sob sete chaves. Um texto bem humorado de Nina Horta, colunista da Folha de S. Paulo, ressalta esses números na ótica do autor:

Noites de autógrafo

UMAS COISAS são tão costumeiras que não paramos para pensar nelas. E assim vamos perpetuando o costume das noites de autógrafos. Você recebe o convite. Geralmente é um assunto que interessa, pois há uma tendência de cozinheiros conhecerem cozinheiros, bailarinos conhecerem bailarinos. Uma das probabilidades é que o autor seja o seu melhor amigo ou alguém que você admire muito, para que se mande até uma livraria localizada de preferência em ruas de trânsito impossível, depois do expediente caótico, para pegar um livro com dedicatória.
Aí é que começo a implicar. A fila!
Policiadíssima pelos que ficam atrás, às vezes chega a sair da livraria, pelas calçadas esburacadas. Um conhecido poeta comentava, no outro dia: “É difícil de acreditar. Eu ali na fila esperando, em pé, cansado, sem jantar, para ver quem? O Jorge, entendeu? O Jorge que vejo todo dia, sem fila. O Jorge!”.
É claro e sabido que, financeiramente, não vai haver grande lucro. Dez por cento por capa é o que o escritor ganha. O livro custa R$ 40, se ele ficar 10 horas na fila, com 500 pessoas, vai ganhar R$ 2.000. Sem contar o vinhozinho branco e as frutas secas. Se oferecer uns macarons, corre o perigo de falir, ali, duro, na hora do lançamento.

Ah, o texto pode ser lido na íntegra por meio do link http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1911200922.htm

A gaveta criativa de Woody Allen

10/11/2009 às 11:02 | Publicado em Autores | 2 Comentários

0,,31932726,00O mote da revista People — mostrar o lado comum de celebridades e o lado extraordinário de pessoas comuns — continua válido para produzir perfis interessantes.

Nesse sentido, o que perguntar para um cineasta americano que dirige filmes desde a década de 1970 e que, desde então, teve sempre sua vida particular colocada sob as lupas poderosíssimas da mídia internacional? 

Felizmente os jornalistas Paoula Abou-Jaoude, de Los Angeles, e Marcelo Bernardes, de Nova York, aproveitaram bem a oportunidade, perguntando o que Woody tem em seu criado-mudo.

A reportagem não supera, é verdade, a feita pela repórter Tetê Ribeiro para a revista Serafina, da Folha de S. Paulo. Mas perguntas como esta ajudam a humanizar um mito do cinema contemporâneo. Para ler o texto na íntegra, o link é http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI101942-15220,00-WOODY+ALLEN+QUASE+ALTOASTRAL.html

ÉPOCA – O senhor diz que guardou o roteiro original numa gaveta. O senhor sempre cita essa gaveta em entrevistas. Poderia revelar o que existe nesse maravilhoso e criativo móvel?
Allen –
É meu criado-mudo, que fica ao lado de minha cama. Nele estão uma luminária, um bloco de anotações, um lápis e o telefone. Na gaveta estão todas as minhas coisas pessoais. Minhas palhetas do clarinete, meu fone de ouvido para escutar jazz. Meu passaporte está lá, assim como um cassetete de polícia, caso alguém invada minha casa à noite (risos). Também tenho todos os meus papéis lá, todas as minhas anotações. Invariavelmente, abro a gaveta, tiro os papéis, coloco-os sob a cama onde deito e repasso essas anotações ano após ano. Se escrevo um roteiro e dou para meu produtor, e ele me diz que vou precisar de US$ 20 milhões para fazer aquele filme, mas ele não tem condições de captar essa quantia, então o roteiro volta para a gaveta. Tenho roteiros prontos para cinema e teatro, e um romance que ficou tão ruim que continuará naquela gaveta por um bom tempo.

Monica Martinez

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