Convite: 19 de março de 2011 a partir das 18h

15/04/2011 às 10:08 | Publicado em Criatividade, Livros | 1 Comentário

Férias

15/04/2011 às 10:02 | Publicado em Textos de alunos | Deixe um comentário

Homem:  Ah! Finalmente férias. Significa distância enorme do Projeto Acelera, inventado pelo meu maldito chefe na empresa…

Mulher:  Não se esqueça que é por causa dele que você tem férias.

Homem: Tá bom, ta bom… Esqueça o trabalho. Vamos fazer um check list. Não podemos esquecer passaportes, aliás, nenhum documento. E também os cartões de crédito. No mundo, com dinheiro e documento tudo se resolve.  O restante, damos um jeito.

Filha: Mãe!!! Vou levar o urso azul.

Mulher: Melhor não filha. Ocupa muito espaço, você se cansa e no fim sou eu que tenho que carregar.

Filha: Então não vou.

Choro da filha.

Mulher: Ta bom. Mas vai no seu colo.  Se perder  azar o seu.

Continua a mulher:

Benheee!!!!  Você pegou as passagens e as reservas?

Homem: Sim. Estão com o guia das cidades e também com as anotações de dicas dos amigos que já passaram férias lá. Sem dúvida teremos passeios e restaurantes bem interessantes para conhecer.

Vez do filho: Pai  !!!  Vou levar a espada do Jaspion.

Homem: Não pode filho. Vão confiscar no aeroporto.

Filho de novo: Mas o urso dela pode, não é? Sem a espada eu não vou.

Choro do filho.

Homem começa a ter saudades do chefe e vontade de participar do Projeto Acelera na empresa.

Homem prossegue:

Querida, já estamos atrasados. Pegue as malas de mão, as outras eu levo.

Filha repete: Mãe cadê o urso azul?

Filho repete: E a espada do Jaspion?

Mais choro.

Agora do pai e da mãe.

 Carlos Alexandre Farsura é aluno da 16ª. turma do curso de Redação Criativa ministrado pela professora Monica Martinez no Sindicato dos Jornalistas Profissionais de São Paulo.

Mapa do inferno

15/04/2011 às 9:51 | Publicado em Textos de alunos | Deixe um comentário

Olhei para o mapa de novo sob a fraca luz do painel do carro, estudando atentamente as linhas que desenhavam aquele labirinto de ruas. Logo me localizei. Acelerei devagar, tentando reconhecer as indicações marcadas no papel. Mas era inútil: definitivamente, o mapa não batia em nada com a realidade ao redor, e eu estava mais perdido do que cachorro em tiroteio (ou seria cego em dia de mudança?), de noite, no meio de uma cidade desconhecida, raspando os últimos litros de combustível do tanque, e paciência já esgotada.

 Sim, lá estava eu, mais uma vez deixado na mão por um mapa. Se eu tivesse que fazer uma lista com as dez coisas que mais me irritam neste mundo (e eu fiz!), com certeza constaria nela pessoas que não sabem desenhar mapas. Estaria logo abaixo do terceiro item da lista, “pessoas que usam toucas em dias quentes”, e acima de “dobradiças que rangem”.

 Nunca, nunca na vida me dei bem seguindo um mapa. Sempre falta uma ruazinha, uma viela secreta, ou a indicação de uma virada suave em algum lugar que desvia completamente o trajeto. Todos querem simplificar os mapas. Mapas, meu amigo, assim como receitas de bolo, não podem ser simplificados. Tire um item, e tudo estará perdido. Aquela ruazinha que você pensou que não faria falta levará o pobre do motorista ao desespero.

 Já passei apuros com diversos tipos de mapas, desde os mais simples, que pretendem te ajudar a chegar até a padaria da esquina, como os mais complexos, para atravessar de uma cidade a outra.

Certa vez, desenharam-me um mapa, sem brincadeira, com um traço, uma única linha atravessando a folha branca de ponta a ponta, perfeitamente desenhada com uma régua e tudo. Me animei. Deve ser fácil chegar ao lugar, é uma reta só. Pela primeira vez na vida não vou me perder de carro ao tentar chegar a um lugar desconhecido. Ledo engano, meu amigo. Aquela linha veio a ser, na verdade, um emaranhado de ruas, túneis, pontes, estradas de terra, pântanos e até uma travessia de balsa. Sim, o caminho era mais tortuoso que o autódromo de Interlagos, mas o sujeito achou por bem que uma linha daria conta do recado. Fui reclamar com o autor do mapa.

 – Você se perdeu? Mas o caminho é tão simples – disse o desgraçado.

– Simples? Fui parar no meio de uma tribo de índios no meio do Pico do Jaraguá! Eu nem sabia que havia índios em São Paulo! Índios, daqueles com cocar, arco e flecha e tanguinha.

– Ah, bem, é que estou tão acostumado com o caminho que pensei que era mais fácil.

 E lá estava eu. Tudo porque resolvi aproveitar as férias para visitar minha tia em Guaratinguetá, interior de SP. Nunca havia ido para o lugar. Para me ajudar, ela me mandou um mapa que mais parecia um retrato da nossa “presidenta” Dilma Rousseff de touca de banho. Assim que entrei na cidade, o primeiro problema: o mapa apontava que eu deveria pegar um viaduto, só não dizia que havia dois viadutos, um do lado do outro. Claro que meu senso de direção me fez pegar o caminho errado, e fui me afundando nas entranhas da cidade.

 Para minha sorte, finalmente avistei um rapaz, pedalando serelepe sua bicicleta com um bolo de feno entre os joelhos. Resolvi pedir informação. Fiz sinal de amizade e perguntei:

 – Por favor, meu bom cidadão. Preciso chegar na rua Ermelina Barata. O senhor sabe me dizer como diabos eu faço para chegar lá?

 Reproduzo a seguir a explicação do indivíduo, um exemplo de clareza, objetividade e concisão que levarei para toda vida, até que eu morra no bico de um pelicano assassino, conforme previu certa vez uma cigana.

 – O senhor faz seguinte: indo reto por essa estrada, o senhor vai ver uma bifurcação. Pega a da esquerda… Anda até passar uma fábrica de azulejo… Vira pras direita antes do riachim… Vai subir um tantim assim até virar pras esquerda antes de uma sequóia velha… Depois, entra duas direitas depois de uma padaria do lado de um orelhão quebrado… Anda uns mil metro… Aí o senhor sobe um morro, desce o morro, sobe outro morro, dá uma cambalhota e faz o contorno na rotatória onde tem uma vaca pastando… Aí o senhor vai ver uma ponte. Se o senhor cruzar a ponte, é porque errou. Então faz o seguinte, em vez de virar pras esquerda na bifurcação que eu te falei lá no começo, o senhor pega o caminho da direita, cai na estrada e anda uns quinhentos metro até chegar na rua Ermelina Barata. Facim, facim.

 Ouvi atentamente a explicação e, em vez de tentar chegar à casa de minha tia, decidi conferir se a ponte à qual ele se referiu era de madeira ou concreto. E foi assim que me perdi e virei um agricultor.

 Alexander Svelt é aluno da 16ª. turma do curso de Redação Criativa ministrado pela professora Monica Martinez no Sindicato dos Jornalistas Profissionais de São Paulo.

Meditação e a escrita criativa

11/04/2011 às 9:07 | Publicado em Escrita Criativa, Meditação | Deixe um comentário

Breve ou longa, uma sessão prévia de meditação pode ajudar o processo de escrita. Do ponto de vista neurológico, o que ocorre é o “desligamento” de certas áreas cerebrais e a ativação de outras.

Segundo o médico brasileiro Roberto Cardoso, autor de Medicina e Meditação, (Editora MG), há diminuição da ação do córtex pré-frontal, área responsável pelo planejamento e tomada de decisões.

O autor, ligado ao grupo de estudo de meditação da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), diz que há também redução de atividade do lobo parietal, responsável pelo senso de orientação espacial e temporal.

Outros estudos, como o desenvolvido por Andrew Newberg, professor do Departamento of Radiologia do Hospital da University of Pennsylvania, EUA, sugerem aumento da atividade do lobo frontal, associado à concentração e atenção. Os estudos do professor Newberg foram feitos com tomografias tomadas de monges budistas em profundo estado meditativo.

Veja abaixo a íntegra da entrevista dada sobre o assunto pelo médico brasileiro ao caderno Equilíbrio, da Folha de S. Paulo:

Por Monica Martinez

Música

08/04/2011 às 15:04 | Publicado em Textos de alunos | Deixe um comentário

Acho difícil observar parada, às vezes penso que presto mais atenção se estiver andando. Fiquei com um pouco de dor nas costas porque estava olhando em pé, escorada numa mureta, enquanto minhas amigas estavam sentadas. Ok, não sentei porque não quis. Tinha espaço.

Observei várias coisas e pessoas, e tive a mesma impressão que tenho todos os dias quando olho as pessoas na rua, nas estações ou pela janela do trabalho: que deve existir uma música “universal” tocando baixinho, mas tão baixinho, que ninguém pode escutar, apenas sentir, e, por isso, todos “dançam” em um compasso único, mesmo sem saber.

Digo isso porque observei um senhor fazendo entrega de bebidas. Olhava ele pegando os engradados de latinhas de Coca-Cola e preenchendo o carrinho, colocando os engradados em posições alternadas. Não deixava de imaginar como aquele senhor, que já deve trabalhar há muito tempo nessa função tão cansativa, não tinha tanta força para aquele trabalho, mas mesmo assim o fazia, empurrando o carrinho com as bebidas na direção do seu destino.  Talvez eu tenha tido a impressão de que ele era fraco porque usava óculos. É tão difícil ver pessoas fortes de óculos né? E olha que eu também uso e nem me acho tão fraca. Isso é culpa do Pernalonga[1].

Voltando à dança, achei estranho que ele saísse e deixasse o caminhãozinho com as portas traseiras abertas sem ninguém vigiando. Mas, na verdade, tinha muita gente olhando. Um segurança do estabelecimento estava ali perto. Bom, ficou só por alguns minutos, vestido com seu uniforme e segurando seu rádio. Saiu logo de perto. Talvez porque tenha visto tantas pessoas que achou que o lugar era seguro.

Depois de algum tempo que o senhor de óculos saiu, escutei o som das rodas do carrinho ao longe, vindo por algum caminho, que pelo som, devia ser de paralelepípedos. Sei lá.

Pensei como ele havia sido rápido. Mas aí vi que não era ele e sim outro rapaz, que me parecia menos fraco. Talvez porque não usasse óculos. E aí voltamos pra idéia da dança.

Eles seguiam o ritmo deles, de uma manhã de um sábado ensolarado.

Perto do caminhão onde eles buscavam as bebidas, outro homem, gordinho, acendeu seu cigarro, depois sentou, pegou um celular e viu que nós estávamos paradas, à toa, olhando. No mínimo, ficou se perguntando o que fazíamos olhando sem falar nada. Em algum lugar, notei que pessoas conversavam. Mas não as vi e só conseguia ouvir que falavam, sem entender o que, enquanto observava o ir e vir dos entregadores.

Enquanto isso, pessoas subiam e desciam a rua, preocupadas ou não com suas vidas, sem notar o que acontecia. Até que um rapaz de camiseta preta, oriental, subiu a rua com o olhar fixo na carroceria aberta daquele caminhão sem ninguém vigiando. Ele deve ter pensado o mesmo que eu: “que coragem deixar assim”. E esse pensamento é, com certeza, reflexo dos tempos atuais. Neura! Talvez esse seja um lugar mais seguro mesmo.

Por um instante me distrai pensando nisso, mas outro rapaz desceu correndo, foi até o lugar onde todos conversavam, e logo voltou correndo e sorrindo. Não sei o que fez ou foi fazer. Sei apenas que ele estava com um colete de lã. Que calor!

Mas aí, voltei a imaginar aquela coisa da música e da dança universal. Penso nisso todos os dias e penso como deve ser observar isso lá de cima, como se olhasse um mundo em miniatura.

Christiane Aguiar é aluna da 16ª. turma do curso de Redação Criativa ministrado pela professora Monica Martinez no Sindicato dos Jornalistas Profissionais de São Paulo.


[1] A autora faz referência a um desenho animado do coelho Pernalonga, no qual o personagem, ao usar óculos, faz suas artes sem apanhar no final.

O banho

08/04/2011 às 15:02 | Publicado em Textos de alunos | Deixe um comentário

Um portão se abre entre o aglomerado de construções e leva a um vão escavado no meio da cidade. Muros de quase cinco metros de altura traçam o perímetro, repelindo o caos e a existência atribulada do lado de fora. Entrar ali é como mergulhar em outra dimensão, outro mundo, outro tempo.

A configuração interna do lugar contrasta com o ambiente externo. O verde do jardim se opõe ao asfalto queimado; troncos de árvores robustas substituem postes descascados; galhos retorcidos, em vez de fios elétricos emaranhados, desenham formas; flores caídas no chão tomam o lugar do lixo espalhado displicentemente. O olhar parece ficar mais limpo.

Árvores proporcionam uma sombra agradável por quase todo o terreno. Lá fora, o sol queima impiedosamente o concreto, que não oferece abrigo. Um ar denso, úmido, preenche o local.

Um gato deita-se na grama, aproveitando um dos escassos raios solares que conseguem perfurar o teto de folhas. Lambe-se, espreguiça-se. Um grupo de meninas, todas igualmente vestidas de um branco puro, para e alisa os pelos do animal, que rola a barriga para cima para receber os afagos. O grupo fala baixo, como se com medo de macular o silêncio do jardim: o ambiente pede tons suaves de voz. Sussurram, mas podem ser ouvidas. Lá fora, em meio ao turbilhão de sons, é preciso gritar para ser percebido – a fala se dissipa tão logo deixa os lábios. Aqui, as palavras parecem ficar impregnadas no ar fresco. Quase é possível vê-las tomando forma, dançando, flutuando.

O tempo ali arrefece seu ritmo frenético e passa a transcorrer preguiçosamente, ainda que inexorável. As meninas se levantam e se vão. O gato continua ali, banhando-se de língua e de sol. E em algum lugar da mente felina brota uma ideia: é uma perfeita manhã de sábado.

Alexander Svest é aluno da 16ª. turma do curso de Redação Criativa ministrado pela professora Monica Martinez no Sindicato dos Jornalistas Profissionais de São Paulo.

A visita

01/04/2011 às 17:45 | Publicado em Turmas do Curso de Redação Criativa | Deixe um comentário

Um burburinho de vozes e, de repente, fica tudo escuro. Milhões, bilhões de estrelas aparecem, como há muito não vejo em São Paulo. Cada ponto brilhante me insufla de alegria. Com um pouco de atenção, não é difícil encontrar o Cruzeiro do Sul e as Três Marias… Há quanto eu não os via! A memória dessa imagem quase se perdera no tempo. Remonta à infância, onde estava sempre atenta aos brilhos celestes das noites.

Esmiuçando um pouco mais, consigo visualizar as constelações. Vou logo procurando a de Capricórnio! Que beleza, todo o zodíaco representado pelas estrelas. Mas é preciso ir além, viajar mais longe, ultrapassar os limites da exosfera. Ao aviso do comandante, afixo-me seguramente em meu assento e partimos em direção ao desconhecido. É como se estivesse flutuando. Uma sensação nauseante toma-me por segundos. Ganhamos velocidade e em pouco tempo avistamos a Terra. Linda! Que privilégio poder contemplá-la!

Fascinados, meus olhos percorrem cada “espaço” do Espaço. O Astro-Rei, incandescente, fulgura ao longe. E como é belo todo o seu Sistema! Passamos tão perto da Lua, que quase posso desvendar-lhe os mistérios. Com fulgor no coração, cada respiração é expectativa.

A viagem prossegue, cada planeta, cada história. O grande Júpiter impressiona pelo tamanho, tão maior que a Terra! Súbito, estamos em meio às partículas de pedras e poeira, atravessando os anéis do senhor Rei do Tempo, Saturno. Estico meu braço buscando tocá-las, almejando trazer alguma comigo. Em vão.

Continuamos em frente, se assim pode-se dizer, e aos poucos vamos deixando a Via Láctea! Observando-a de fora é como se fosse uma massa de nuvem formando um gigantesco olho em meio ao negrume do infinito. E o Buraco Negro, então, indizível sensação… misto de nó no estômago e garganta opressa! O que é isso, meu Deus?! Vozes de espanto e admiração. Os demais tripulantes extasiam-se ante tudo quanto vemos. Sinto-me pequena ao ver de tão perto tanta existência ignorada no cotidiano. Centenas de perguntas invadem-me a mente, mas nem sequer consigo atinar qualquer resposta.

E é nesse ínterim que o comandante nos informa que já é hora de retornar, o que é feito em um silêncio quase religioso, por todos.  De volta à troposfera, finda a viagem. Tal qual numa peça de teatro quando termina ou num cinema quando o filme acaba, as luzes se acendem.

Olho em derredor, naquele salão redondo, de teto abobadado, e percebo sutil estado de graça nos semblantes vizinhos, como se o brilho das estrelas estivesse, ainda, refletido em cada olhar. Ao sair do Planetário, no Ibirapuera, anoitece. Olho para o céu e não as vejo. Resultado da “evolução”, que entre luzes artificiais e poluição, nos torna cegos às belezas noturnas da criação.

 Luana Chrispim é aluna da 16ª. turma do curso de Redação Criativa ministrado pela professora Monica Martinez no Sindicato dos Jornalistas Profissionais de São Paulo.

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