Release do livro Professor de Ilusões, de Monica Martinez

16/12/2012 às 16:07 | Publicado em Autores, Literatura, Monica Martinez | 8 Comentários

Editora Prumo lança livro Professor de Ilusões, de Monica Martinez

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Romance marca a estreia da jornalista e professora universitária Monica Martinez na literatura de ficção. Obra é ambientada no mundo acadêmico e traz reflexões profundas de um professor que sente um forte impulso de se reinventar

Professora universitária e pesquisadora na área de Comunicação Social, com diversos livros acadêmicos publicados, entre eles, Tive uma ideia o que é criatividade e como desenvolvê-la, de 2010, Monica Martinez lança seu primeiro romance, Professor de ilusões, pela Editora Prumo. E é justamente em um ambiente familiar à autora, a academia, que a história se desenrola. Em sua primeira obra ficcional, Monica Martinez dá vida ao personagem Sidney, um professor universitário que, aos 44 anos, passa a refletir profundamente sobre a própria existência, e sobre sua profissão. O leitor é conduzido ao universo do denso protagonista e suas circunstâncias a partir do momento em que ele decide se reinventar.

O ensino superior em Comunicação Social é o mote da história contada pela autora, que aborda percepções observadas dentro da universidade e a transição do jornalismo para o mundo acadêmico. “Com a mudança ocorrida no cenário da área jornalística nas últimas décadas, o professor Sidney reflete um grupo significativo de profissionais criativos que encontrou na academia uma possibilidade muito interessante de dar continuidade à carreira escolhida na área de Comunicação”, afirma Monica Martinez. “Além disso, enquanto as redações enxugaram, a oferta de empregos no ensino superior se ampliou nos últimos anos, incluindo a visibilidade internacional devido ao processo de globalização acadêmico”, completa.

Como em uma autoanálise, o personagem Sidney, envolto em problemas pessoais – sofre ainda com o divórcio e com a traição da ex-mulher – e em questões da vida prática, emaranha-se em uma rede de pensamentos sobre sua insatisfação com a atual profissão: “O fato é que continuava tendo a sua frente, a cada semestre, um pelotão de alunos egressos de um sistema de educação falho, que não haviam conseguido vaga nas instituições públicas ou particulares de excelência. Falava de técnicas sofisticadas de jornalismo, para o qual havia sido treinado no doutorado, para uma plateia que não lia livros, tinha poucas referências culturais e escrevia pior que seu filho de treze anos, quando escrevia alguma coisa.”

Mas ele constata que, como diamante no cascalho, às vezes aparecia um aluno talentoso, ao qual ele perscrutava com a curiosidade que um geneticista dedicaria a uma mutação genética. “Contra todas as probabilidades — a educação falha, famílias desestruturadas, situação econômica precária, doenças físicas ou psicológicas, falta de disciplina e muitas vezes de metas –, emergia um ou outro que se destacava naquele mar de jovens. Era um mistério para ele como tinham conseguido, e um mistério ainda maior saber o que a vida reservava a estas pequenas joias que tinham escapado do sistema”, divaga o personagem.

Sidney sabia que precisava se reinventar, sentia necessidade de mudança.Tinha sido muitas coisas na vida, as mais recentes jornalista e professor, mas, insistentemente, se perguntava o que seria depois e além disso. “Sabia que não havia outra resposta que não a de escritor. Coçou a cabeça. Está certo: adorava escrever. Não via problema em ficar horas sozinho (…)”. Entre outras observações a respeito do ofício de escritor, o próprio personagem sugere a disciplina como algo fundamental para fazer a passagem do jornalismo para a literatura. “Contudo, a meu ver, os jornalistas que transitam pelas duas áreas podem contribuir com uma narrativa realista, uma vez que são treinados a observar a realidade e interpretá-la para relatá-la bem”, comenta a autora.

Monica Martinez afirma que escrever um romance foi uma experiência totalmente nova, diferente de tudo o que já tinha feito. Ela conta que sempre ficava intrigada ao ouvir grandes nomes da literatura nacional e internacional, como o colombiano Gabriel García Márquez, falar que a partir de um determinado ponto os personagens de um livro ganham vida própria. O mesmo acontece com o personagem de Professor de Ilusões: toda vez que ela planejava uma sequência, lá vinha ele conduzir seus dedos e levar a história para outro lado. Como diz o escritor português José Saramago (1922 – 2010), citado na obra, o autor precisa ter uma sensibilidade enorme para ajudar o livro a ser o que ele quer ser.

Segundo a autora, o personagem central é composto a partir de características de vários indivíduos, que foram amalgamadas ao longo do tempo por sua imaginação. Sidney é um homem contemporâneo, em trânsito, ela afirma. “Eu imagino Professor de Ilusões como uma trilogia, mas a característica inquieta de Sidney, de querer sempre mais, estará sempre com ele.”

A  orelha do livro é assinada pelo repórter José Hamilton Ribeiro. O então correspondente da revista Realidade foi o único brasileiro a cobrir a Guerra do Vietnã. O jornalista atualmente faz parte da equipe do programa Globo Rural.

Sobre a autora

Monica Martinez é doutora em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo e pós-doutorada em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo. Atualmente desenvolve estágio de pesquisa pós-doutoral junto à Universidade do Texas, em Austin. É docente do Programa de Mestrado em Comunicação e Cultura da Uniso, da pós-graduação em nível de lato sensu da FMU e da Associação Brasileira de Jornalismo Literário (ABJL), dá aulas de jornalismo no FIAM-FAAM Centro Universitário e de redação criativa e jornalismo literário no Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo. É co-criadora do Núcleo Granja Viana-SP da Joseph Campbell Foundation. Como escritora, publicou Tive uma ideia – o que é criatividade e como desenvolvê-la (Paulinas, 2010), Jornada do Herói – estrutura narrativa mítica na construção de histórias de vida em jornalismo (Annablume/Fapesp, 2008), Martin Luther King (Salesiana, 2007), Gandhi (Salesiana, 2006), entre outros livros. Como jornalista, foi editora em publicações de circulação nacional, entre elas a revista Saúde.

Sobre a Prumo

Fundada por Paulo Rocco, responsável pela editora Rocco, a Prumo tem sede em São Paulo com equipe própria e independente. A linha editorial é bem diversificada, inclui títulos nas áreas de ficção, não ficção e infantojuvenil. O objetivo é oferecer ao leitor um catálogo amplo, com o melhor da literatura nacional e estrangeira, além de títulos de referência e livros atraentes para o público jovem e infantil.

Ficha técnica

Professor de Ilusões

Editora Prumo

Selo: leia

Autora: Monica Martinez

Formato: 14 X 21 cm

No de páginas: 248

ISBN: 978-85-7927-244-8

Acabamento: brochura

Preço: R$ 29,90

 Informações à Imprensa

A4 Comunicação

www.a4com.com.br

Tel: 55 11 3897-4122

Neila Carvalho – neilacarvalho@a4com.com.br

Alexandre Michelacci – alexandremichelacci@a4com.com.br

Tatiana Dias – tatianadias@a4com.com.br

Julia Saleme – juliasaleme@a4com.com.br

 

Lançamento de Professor de Ilusões, de Monica Martinez

20/11/2012 às 8:35 | Publicado em Autores, Literatura, Monica Martinez | 2 Comentários
Caros,
 
Tenho o prazer de convidá-los para o lançamento de meu novo livro de ficção, Professor de Ilusões (Prumo). Será amanhã, 21/11, quarta-feira,  das 17h30 às 22h, na Fnac Paulista (Av. Paulista, 901 – próximo à estação Brigadeiro do metrô). 
 
Agradeço desde já pela presença e divulgação.
 
Breve apresentação do livro:
 
Com um abraço,
Monica
– – – – –
Profa. Dra. Monica Martinez
Programa de Mestrado em Comunicação e Cultura
Universidade de Sorocaba – UNISO
www.twitter.com/escritacriativa
www.twitter.com/monicamartinez1
www.facebook.com/monicamartinezbr

Um manto vermelho cobre a cidade

22/06/2011 às 4:08 | Publicado em Monica Martinez | Deixe um comentário
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O texto abaixo integra o projeto 3Meia5:

25 de Maio, Um manto vermelho cobre a cidade

São 5h15. O despertador toca. Eu gosto de acordar cedo – desde que tenha ido dormir cedo. Ouço um plec – o entregador de jornais acaba de passar e jogar a edição do dia no quintal. Desço para preparar o café. Lá fora, os pássaros ainda estão silenciosos e o céu escuro não permite saber como será o dia. O aroma invade a cozinha, enquanto descasco o mamão e faço algumas torradas.

Ouço os demais despertadores da casa tocando, um por um, e os sons conhecidos de camas rangendo, portas batendo, comentários nem sempre bem humorados sendo trocados. Logo todos estão na mesa da sala, falando animada, mas brevemente, sobre o dia.

Outros plecs se seguem, de portas sendo chaveadas, portas de carro batendo, portões travando. Morar nos arredores de São Paulo tem seus charmes, mas o inconveniente da procissão matinal que segue em direção à cidade para trabalhar. Cada minuto desperdiçado em casa significa quilômetros de congestionamentos.

Mas esta manhã a cidade flui surpreendentemente bem.  Não há motoqueiros pelo chão, batidas, nem ambulâncias zunindo pelo caminho. Enquanto dirijo penso no que farei hoje. Um papelzinho deixado propositadamente no banco do passageiro ajuda a registrar as tarefas. Levei anos para desenvolver este método, que não é muito sofisticado, mas funciona bem. Logo a mente está livre para fazer haicais. O sol está surgindo e, como não chove há alguns dias, há uma camada vermelha espessa cobrindo o horizonte.

            Um manto vermelho

            A se erguer com o sol –

            Manhã de outono

Acho mágico ficar construindo histórias em 17 sílabas – embora os haicais verdadeiramente bons sejam difíceis de acontecer. Às vezes eles nascem por si mesmos, como o acima. Outros levam meses para amadurecer. Recentemente eu estava pensando numa teoria sobre a natureza dos haicais. Num primeiro nível haveria os descritivos, que sugerem uma imagem, uma situação, uma cena. Num segundo nível, mais elevado, estariam os relacionais, que sugerem de forma muito interativa uma sensação, uma lembrança, uma emoção. Quanto mais elas forem universais, mais o leitor é tocado. Para mim, os haicais mais comoventes são aqueles que falam das questões inexoráveis da vida: o nascer, a finitude e a efemeridade de tudo. E, claro, da insensatez deste nosso mundo coisa, com seu individualismo e consumismo exacerbados.

O manto vermelho vai se dispersando. “Será que os outros motoristas também o notam?”, penso. Fico algo zen, o que, por algum motivo inexplicável, me leva a pegar as pistas que fluem melhor, a me desviar dos obstáculos. Uma vez li em algum lugar que quando a gente se mantém neste estado mental é como se formasse uma redoma protetora à nossa volta. “Será que isso tem alguma evidência científica?”, é a pergunta que me ocorre.

Faz pouco tempo que descobri que amo o início do outono – eu nem prestava atenção nele. Não há as chuvas ferozes do verão, tampouco o frio do inverno ou a secura do começo da primavera. Deve ser a tal da sabedoria que, dizem, surge depois que a gente faz 40 anos. Não me sinto particularmente mais sábia em nada, contudo. Ao contrário. A cada dia descubro que sei menos do que gostaria ou deveria saber. O outono é lindo também por que logo o período letivo se encerrará. Mais uma vez. Logo outros alunos chegarão em ondas, sempre da mesma idade, 17, 18 anos.

Me ocorre que nunca tive o sonho de ser professora. Escrever sim, tanto que fui jornalista daquelas de redação por mais de 20 anos. Ainda me lembro da confusão das redações, das pretinhas — as teclas das máquinas de escrever –, com seu barulho característico e os copos descartáveis de café frio ao lado que iam sendo sorvidos aos poucos. Mas ser professora foi algo que a vida me levou a ser, de mansinho. No começo eu achava que era algo transitório. Hoje não sei mais. A cada dia, contudo, sinto uma imensa gratidão aos alunos. Por algum motivo inexplicável, ensinar me humanizou. E também me fez descobrir onde acaba minha paciência…

O sol se ergue de vez. Ligo o rádio e tudo volta ao normal, com as notícias das barbaridades que são cometidas, todos os dias, há milênios. Suspiro. Felizmente, em algumas horas, estarei no meu quilo japonês favorito.  As melhores coisas da vida, vamos descobrindo pelo caminho, são as mais simples.

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Monica Martinez é jornalista, pesquisadora da área de Comunicação Social, professora universitária, haicaista e, a cada dia mais, escritora.

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